quarta-feira, 7 outubro , 2026

Por que está faltando dinheiro no bolso dos brasileiros? Dívidas e despesas apertam orçamento

FOTO José Cruz Agência Brasil Divulgação Notisul

Tempo de leitura: 5 minutos

O desemprego caiu e a renda média avançou, mas milhões de brasileiros chegam ao segundo semestre de 2026 com a sensação de que o dinheiro termina antes do mês. O aparente paradoxo encontra explicação quando emprego e renda são analisados junto com endividamento, inadimplência, juros e peso das despesas essenciais.

O Brasil tem cerca de 70,7 milhões de consumidores inadimplentes, segundo dados da Serasa. Ao mesmo tempo, 82% das famílias possuem algum tipo de dívida, conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, o endividamento alcança 84,9%.

Os números ajudam a explicar por que uma melhora nos indicadores do mercado de trabalho não necessariamente se transforma, de imediato, em maior folga no orçamento doméstico.

O emprego melhora, mas o orçamento continua apertado

Os dados do mercado de trabalho apresentam um cenário que, isoladamente, seria favorável às famílias.

A taxa de desemprego está em 5,8%, equivalente a aproximadamente 6,3 milhões de pessoas desocupadas. O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.732, conforme dados do IBGE, apesar de dados contestados por especialistas por conta do número de famílias recebendo auxílio emergencial e, por isso, não busca emprego formal.

Existe, porém, outra parte do mercado de trabalho que ajuda a compreender as dificuldades financeiras.

A taxa de subutilização da força de trabalho está em 13,8%. São aproximadamente 15,7 milhões de brasileiros subocupados ou com potencial de trabalho que não é plenamente aproveitado.

Isso significa que olhar apenas para o desemprego não revela toda a capacidade financeira das famílias.

Mesmo entre quem está trabalhando, parte da renda precisa cobrir compromissos assumidos anteriormente, além das despesas recorrentes com alimentação, moradia, energia, transporte e outros serviços.

A combinação reduz o dinheiro efetivamente disponível para consumo depois que as contas são pagas.

Oito em cada dez famílias têm dívidas

O endividamento é um dos indicadores mais claros da pressão sobre o orçamento.

Segundo a CNC, 82% das famílias brasileiras estão endividadas, maior percentual da série histórica apresentada nos dados fornecidos. Nas famílias que recebem até três salários mínimos, a proporção sobe para 84,9%.

Estar endividado, entretanto, não significa necessariamente estar inadimplente. Uma compra parcelada no cartão, um financiamento ou um empréstimo já entram na conta do endividamento mesmo quando as prestações estão em dia.

O problema se agrava quando a renda não é suficiente para cumprir esses compromissos.

A parcela de famílias com contas ou dívidas atrasadas está em 29,9%. Além disso, 12,3% afirmam não ter condições de pagar o que devem.

A Serasa contabiliza aproximadamente 70,7 milhões de consumidores inadimplentes. As mulheres representam 50,5% desse grupo e os homens, 49,5%.

Outro movimento destacado pelos dados é o crescimento da inadimplência entre pessoas com mais de 60 anos.

Cartão concentra as dívidas e crédito caro pesa no mês

O cartão de crédito aparece em 84,6% das famílias com dívidas, conforme os indicadores apresentados. Carnês de lojas, crédito pessoal e consignado também estão entre as modalidades utilizadas pelos consumidores.

O cartão ajuda a entender parte da sensação de falta de dinheiro.

Quando utilizado para parcelar compras ou complementar um orçamento insuficiente, parte da renda dos meses seguintes já começa comprometida. Se a fatura não é paga integralmente, a incidência de juros pode ampliar rapidamente a dívida.

Os juros elevados também aumentam o custo de outras modalidades de crédito.

O resultado é um ciclo difícil para quem já possui pouca margem financeira: despesas do mês são transferidas para o cartão, parcelas comprometem a renda futura e novas necessidades aparecem antes que as anteriores sejam quitadas.

Para famílias de menor renda, esse efeito tende a ser ainda mais significativo porque uma parcela maior do orçamento já é destinada às necessidades básicas.

Inflação de 4,44% não significa que tudo subiu igualmente

Outro componente importante para entender o bolso dos brasileiros é a inflação.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 4,44% em 12 meses, conforme os dados apresentados. O indicador do IBGE acompanha uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos.

Isso não significa que cada família tenha enfrentado exatamente uma alta de 4,44% em seu custo de vida.

O IPCA é uma média ponderada de diferentes produtos e serviços. Alguns preços podem subir acima do índice enquanto outros registram estabilidade ou até redução.

Por isso, duas famílias podem perceber a inflação de formas bastante diferentes.

Por que a inflação parece maior no supermercado?

A diferença fica mais evidente quando se observa o orçamento das famílias de menor renda.

Quem utiliza a maior parte do salário para alimentação, gás, energia, transporte e outras necessidades essenciais fica mais exposto às oscilações desses preços.

Uma queda no preço de um bem durável, por exemplo, pode contribuir para reduzir o índice geral de inflação. Mas essa redução tem pouco efeito imediato para uma família que não pretende comprar aquele produto e precisa ir ao supermercado todas as semanas.

É nesse sentido que se fala em “inflação percebida” ou “inflação sentida”.

Não se trata de outro índice oficial de inflação. É a maneira como a composição particular dos gastos de cada família pode fazer a alta de preços ser percebida de forma diferente da média nacional.

O IBGE também calcula o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), direcionado às famílias com renda de um a cinco salários mínimos. O indicador ajuda a observar a variação dos preços para uma parcela da população com orçamento mais concentrado em despesas de consumo.

Dívida antiga disputa espaço com a despesa nova

Os indicadores reunidos mostram que a situação financeira das famílias no segundo semestre de 2026 não pode ser explicada por um único número.

De um lado, a taxa de desemprego de 5,8% e o rendimento médio de R$ 3.732 indicam melhora no mercado de trabalho. Do outro, o recorde de 82% das famílias endividadas mostra que uma parcela relevante da renda já está comprometida antes mesmo de começar o mês.

Para quase três em cada dez famílias, a dificuldade já se transformou em atraso de contas.

Nesse cenário, receber renda não significa ter todo esse valor disponível. Antes do consumo discricionário, entram na conta despesas essenciais, parcelas, empréstimos, financiamentos e faturas acumuladas.

Quanto menor a renda, menor tende a ser a margem para absorver aumentos inesperados ou despesas extraordinárias.

Segundo semestre começa com desafio para consumo das famílias

A combinação de emprego, renda, endividamento e preços ajuda a explicar um cenário que pode parecer contraditório: o mercado de trabalho apresenta números positivos enquanto muitas famílias continuam relatando aperto financeiro.

O segundo semestre de 2026 começa, portanto, com uma questão central para o orçamento doméstico: quanto da renda permanece disponível depois do pagamento das despesas essenciais e das dívidas acumuladas.

Os dados indicam que, para milhões de brasileiros, essa margem continua pequena ou inexistente.

Com 70,7 milhões de consumidores inadimplentes, 82% das famílias endividadas e quase 30% com contas atrasadas, a recuperação da renda disponível depende não apenas do emprego.

Passa também pelo custo do crédito, pela evolução dos preços dos itens essenciais e pela capacidade das famílias de reduzir o comprometimento da renda com dívidas.

Continue lendo

Outubro Rosa em Tubarão tem abertura nesta quarta-feira

A campanha Outubro Rosa em Tubarão terá sua abertura oficial nesta quarta-feira (7), a partir das 13 horas, na Hangar 737. O evento é...

Despedida de Messi: craque encerra ciclo na seleção argentina

A despedida de Messi da seleção argentina aconteceu em uma noite de festa e emoção no Monumental del Núñez, em Buenos Aires. O craque...

Faltou ao 1º turno? Eleitor pode votar no 2º

O eleitor que não compareceu ao primeiro turno das eleições de 2026 poderá votar no segundo turno, marcado para 25 de outubro, desde que...

Sarampo no Brasil: Ministério reforça vigilância após avanço nas Américas

O Ministério da Saúde reforçou o monitoramento do sarampo no Brasil diante do avanço da doença nos Estados Unidos e em outros países das...

Horóscopo de hoje: veja a previsão para os 12 signos nesta quarta-feira (7)

IMAGEM IA NotisulTempo de leitura: 4 minutosO horóscopo desta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, indica um dia que pede atenção à rotina, controle...

Bombeiros resgatam idosa após queda em ribanceira em Braço do Norte

FOTO CBMSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 2 minutosUma idosa foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina após cair em uma ribanceira...

Amurel fica sem deputado federal; Carlos Moisés lidera votação regional

FOTO Divulgação Notisul Tempo de leitura: 4 minutosA Amurel continuará sem representante eleito diretamente para a Câmara dos Deputados. Os oito candidatos com domicílio eleitoral...

PM registra prisões e apreensões em Tubarão e Laguna

FOTO PMSC Divulgação Notisul Tempo de leitura: 3 minutosA Polícia Militar registrou quatro ocorrências consideradas relevantes em Tubarão e Laguna entre a manhã e a...